quarta-feira, 18 de março de 2020

Após seca mais severa da história, rio São Francisco tem maior cheia em oito anos

Divulgação / Codevasf

A cheia deste mês de março de 2020 alenta um período dramático do Velho Chico. Nesta década que termina, o Rio da Integração Nacional registrou suas piores secas, com consequências drásticas para a fauna, flora e populações ribeirinhas.
Neste período de poucas chuvas, os peixes desapareceram e a navegação ficou totalmente inviabilizada pela formação dos extensos bancos de areia no leito do rio. A geração de energia elétrica nas hidroelétricas também precisou ser diminuída nos meses mais secos destes anos.
Mesmo degradado e assoreado, o rio São Francisco voltou a mostrar imponência após esse período em que pareceu estar morto. Com a cheia, as lagoas e alagadiços das margens voltaram a receber as águas depois de oito anos praticamente secos, renovando a esperança de fartura de peixes e da colheita nas várzeas cultiváveis.

Nivel do rio São Francisco em Malhada chegou a 6,96 metros nesta quinta-feira (12) – Foto: José Castor

Nesta quinta-feira (12), o nível do rio na cidade de Malhada, na Bahia, chegou a 6,97 metros, apenas 10 centímetros a menos do que o registrado na cheia de 2012, última vez que o São Francisco abasteceu as lagoas do município. Em Janeiro deste ano, após as chuvas intensas na região central de Minas Gerais, o nível do rio chegou a 6,02 metros na cidade.
Segundo José Castor, secretário de Agricultura e Meio de Malhada, o aumento do nível legou água para as áreas alagadas às margens do rio e deve chegar nas lagoas do município nos próximos dias.
Desta vez, a cheia foi causada principalmente pela abertura das comportas da Usina Hidroelétrica de Três Marias, após chuvas intensas nas cabeceiras do rio, e também pelas chuvas expressivas que caíram sobre o Norte de Minas.
A previsão é de que o nível suba mais alguns centímetros e se mantenha nesse patamar nos próximos quatro ou cinco dias no município. Após este período, as águas começarão a baixar novamente.
A conclusão é baseada nos dados telemétricos disponibilizados pelo Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos (SNIRH), por meio da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN).
Os dados apontam que o nível do rio começou a cair no início da semana nas cidades do Norte de Minas. Em São Romão, o pico de cheia ocorreu na segunda-feira (9) e o volume de água começou a diminuir na quarta-feira (11). O nível máximo chegou a 8,41 metros na cidade.
Na Usina Hidroelétrica de Três Marias a vazão já diminuiu pela metade nos últimos sete dias. O vertimento iniciado em 28 de fevereiro foi ampliado em 5 de março, chegando a mais de 2 mil metros cúbicos por segundo. Desde o fim de semana, a Cemig, operadora da usina, começou a diminuir a vazão e deve fechar as comportas até esta sexta-feira (13).
O nível do reservatório de Três Marias estabilizou e permanece com quase 96% do volume útil ocupado.
O outro reservatório do rio, da Hidroelétrica de Sobradinho, atingiu 56,06% de sua capacidade, com tendência de crescimento nos próximos dias devido à chegada das águas de Três Marias e das chuvas sobre a bacia.
O reservatório da Hidroelétrica Luiz Gonzaga (Itaparica), também na Bahia, está em 38,72% de seu volume.

Piores secas do rio São Francisco

Segundos dados históricos da Agência Nacional de Águas (ANA), as piores historicamente registradas ocorreram de 2014 a 2018.
Na estão fluviométrica instalada em Carinhanha (BA), logo após a divisa com Minas Gerais, os dados são coletados pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) desde 1927.
Das dez piores secas registradas, cinco ocorreram nos últimos 10 anos, entre 2014 e 2018. Outros três anos de grande seca foram registrados na década de 50 (1954, 1955, 1959), uma na década de 30 (1932) e outra na década de 70 (1971).

Menores vazões registrados no rio São Francisco em Carinhanha – Dados: CPRM/ANA

Nesses mais de 90 anos de registros, o dia 24 de outubro de 2014 foi o dia em que passou menos água pelo rio. A vazão mínima registrada foi de apenas 233,451 m³/s. Neste mesmo dia, o nível do rio entre Malhada e Carinhanha foi de apenas 0,47 metros.
Foi nesta época que a principal nascente do rio, localiza na Serra da Canastra, em Minas Gerais, secou completamente.
O lago da Usina de Três Marias chegou a possuir apenas 2,58% do seu volume nessa época. Já em Sobradinho, na Bahia, chegou ao seu pior nível no final de 2015, apenas 1,03% de volume útil.
A seca se estendeu pelos anos de 2015 e 2016, com novos picos de baixa principalmente no ano de 2017. Neste período, a navegação que ainda existia no rio foi praticamente toda suspensa. Algumas cidades ribeirinhas chegaram a fica isoladas devido á dificuldade enfrentada pelas balsas para fazer a travessia.
A lagoa de Itaparica, em Xique-Xique (BA), maior lagoa das margens do rio, secou completamente em 2017, causando a mortalidade de milhares de peixes.
Somente em 2019, o nível do rio começou a se recuperar, até atingir cheia novamente em 2020.

Maiores Cheias do Rio São Francisco

Enchente do rio São Francisco em 1979 – Xique Xique (BA) – Blog Xique Xique

A cheia de 1979 é a maior já registrada desde 1501, quando o navio de Américo Vespúcio chegava à foz do rio pela primeira vez. Esse ano foi marcado por grandes enchentes e inundações em vários municípios da bacia.
Naquele histórico mês de janeiro, o nível do rio em Carinhanha chegou a surpreendentes 9,83 metros, quase três metros a mais do que o registrado nesta quinta-feira.
Outra grande cheia no Velho Chico foi registrada em 1992, outro ano de grandes enchentes na Bahia e em áreas do Sudeste do brasileiro. Na ocasião o rio subiu 9,41 metros na mesma estação fluviométrica.
Outras grandes cheias ocorreram em 1943, 1946, 1949, e 1983. Nos últimos 20 anos, as maiores cheias ocorreram em 2006, 2007, 2012, e agora em 2020.


sexta-feira, 6 de março de 2020

Aumento do volume do rio São Francisco deixa municípios do Norte de Minas em alerta

Abertura parcial das comportas da Usina Hidrelétrica de Três Marias causa apreensão nas cidades banhadas pelo Velho Chico


A elevação do volume do Rio São Francisco por conta da abertura parcial das comportas da Usina Hidrelétrica de Três Marias (situada no município homônimo, na região Central do estado),  feita pela Cemig desde a última sexta-feira (28), causa apreensão nas cidades banhadas pelo Velho Chico, onde os moradores ribeirinhos estão sendo orientados sobre os cuidados que devem ser adotados para se evitar riscos e prejuízos com a cheia no rio. 
Alertas nesse sentido foram emitidos em Januária e Buritizeiro, no Norte de Minas. A Defesa Civil Municipal de Januária divulgou comunicado, advertindo que, em virtude da ampliação da vazão liberada em Três Marias, o trecho do Rio São Francisco no município “deverá sofrer um aumento considerável em seu volume de água”. De acordo com o órgão municipal, na manhã desta quinta-feira, o  Velho Chico subiu 7,54 metros acima do seu nível normal na cidade, que fica distante 360 quilômetros da Hidrelétrica de Três Marias. 
“Todos os  moradores nas ilhas e margens do rio devem manter vigilância e tomar todas as precauções necessárias para evitar riscos à vida ou prejuízos materiais”, diz o comunicado. “Também chamamos e atenção para a adoção das providências necessárias, que vão desde o monitoramento do nível das águas, até o abandono da área de risco, a fim de garantir a segurança das comunidades”, observa a Defesa Civil do Município.
O comunicado lembra ainda que, a partir de um esforço conjunto, os órgãos de defesa social, envolvendo Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Marinha do Brasil e Defesa Civil de Januária, São Francisco e Pedra de Maria da Cruz, dentre outros, “estão reforçando o alerta e orientando as pessoas que vivem próximo aos cursos d’água sobre os riscos’. 
O coordenador municipal de Defesa Civil de Januária, Manoel Santana,  disse que, apesar do nível do Rio São Francisco ter aumentado mais de 7,50 metros, até a manhã desta quinta-feira, não houve danos no município. Por outro lado, ele salienta que o volume do rio continua em elevação e deve passar de 8 metros acima do nível normal nesta sexta-feira.
Santana informou que na manhã desta sexta-feira, uma equipe da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar de Meio Ambiente vai percorrer o Rio São Francisco de barco e verificar as condições dos moradores das ilhas e das áreas próximas ao barranco. O objetivo é avaliar possíveis danos e orientar a remoção das famílias para locais mais altos, se necessário. 

Volume de Três Marias chega a 94,4% da capacidade

Nesta quinta-feira, de acordo com o monitoramento da Cemig, o volume útil do reservatório da Usina Hidrelétrica atingiu 94,4% da capacidade.  A companhia justificou que a abertura parcial das comportas da usina foi necessária para evitar que se atinja o limite de armazenamento,  quando seria obrigatório o repasse de toda a água recebida pelo reservatório, causando transtornos e inundações para as comunidades ribeirinhas.

domingo, 19 de janeiro de 2020

Como a proliferação de plantas aquáticas está ameaçando a vida no rio São Francisco

A proliferação de plantas aquáticas tem prejudicado o rio São Francisco, no Nordeste

A proliferação acelerada de plantas aquáticas no rio São Francisco está surpreendendo e preocupando ambientalistas e pesquisadores no Nordeste.
A grande quantidade de espécies, em especial elódeas e aguapés (respectivamente dos gêneros elodea e eichhornia), ocorre basicamente por conta do despejo de esgoto e produtos químicos no rio.
Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil afirmaram que não é possível saber exatamente quando essas plantas surgiram no rio, mas que elas se alastraram de forma surpreendente por conta da contaminação e da diminuição da vazão.
"Essas plantas já estão há bastante tempo no São Francisco, mas agora estão descontroladas", alerta o coordenador da Expedição do São Francisco e vice-coordenador do Comitê Científico de Bacias Hidrográficas do Nordeste, Emerson Soares.
Segundo ele, esse aumento é resultado do acúmulo de poluentes, fertilizantes, agrotóxicos e esgoto doméstico.
"Quando o ambiente está equilibrado, elas (as plantas) ocorrem em menor proporção e não causam problemas ao ecossistema. Inclusive elas são importantes na filtragem de nutrientes, servindo de alimento para várias espécies, atuando na fotossíntese e servindo também de abrigo para desova de espécies de peixes e crustáceos", explica.
"Mas em excesso elas trazem problemas para a água que será utilizada para abastecimento e matar a sede de animais, tornando-a imprópria para consumo", acrescenta.
O excesso das plantas já causa problemas a quem navega nas águas, a pescadores e afeta o abastecimento de água em Alagoas.
O rio São Francisco é considerado fundamental para o Nordeste. Sem ele, milhões de pessoas ficariam sem fonte de abastecimento hídrico.
O Velho Chico, como é chamado, corta 507 municípios, de Minas Gerais a Alagoas. A área afetada pela proliferação das plantas é a região conhecida como baixo São Francisco, que vai de Paulo Afonso (BA) até a foz, em Alagoas, com um total 214 km de extensão.

Comunidades sem água

Na semana passada, a Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) perdeu uma das duas bombas que fazem abastecimento da Bacia Leiteira, em Pão de Açúcar. Ela queimou devido ao grande número de elódeas. O abastecimento humano em 19 municípios foi comprometido.
O coordenador de Produção e Distribuição da Unidade de Negócio Bacia Leiteira da Casal, Erickson Dantas, diz que a empresa está preocupada com as plantas, já que a quebra do motor comprometeu 50% do fornecimento. Ao todo, segundo ele, o suprimento total chega a 200 mil pessoas no sertão alagoano.
"Nós temos o maior sistema coletivo do Estado, mas há apenas um ponto de captação para abastecer todos estes municípios. Se a captação para, o abastecimento também é paralisado", diz.
O coordenador conta que um motor reserva foi colocado para resolver o problema, mas admite que, se o problema se repetir, os municípios podem ficar sem água.
"De uns dias pra cá estamos tendo obstruções. Percebemos que a Chesf (companhia de eletricidade) está liberando mais água (das represas), e isso faz com que as plantas aquáticas, que ficam acima da captação, desçam. Ontem (quinta-feira, 9) precisamos parar três vezes para fazer a intervenção e fazer a limpeza", comenta.
A vazão citada por Dantas é controlada pela Chesf, que reduz ou aumenta de acordo com a quantidade de água armazenada nos reservatórios de Três Marias (MG), Sobradinho (BA) e Itaparica (BA/PE).
Desde 2012, com as reiteradas estiagens, a vazão passou por uma série de reduções a fim de garantir que nenhum deles chegasse ao volume morto — o que causaria problemas na geração de energia elétrica.
Para amenizar o problema, pescadores da região foram contratados para retirar as plantas do local. Entretanto, um dia após a limpeza, as plantas ressurgiram.
"Já aconteceu de cancelarmos a cobrança aos usuários porque não conseguimos abastecer uma cidade por esse problema. Ou seja, são muitos prejuízos causados ", afirma Dantas.
A Casal agora está elaborando um plano para fazer a contenção das plantas, para que não se aproximem das bombas. "Mas ainda é preciso que exista um estudo", afirma.

Mudança de padrões

A bióloga marinha e professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Élica Guedes, explica que um dos fatores que está causando a proliferação é a mudança dos padrões físico-químicos da água. A preocupação da especialista é com a qualidade da água.
"O desenvolvimento em excesso (das plantas) influencia também na qualidade da água. Elas tendem a retirar oxigênio no seu processo de desenvolvimento, e isso afeta o desenvolvimento de outros organismos presentes na água: microalgas, zooplancton, peixes, entre outros", explica.
Para minimizar o problema, Guedes diz que é preciso evitar derramamento de produtos químicos na água, que podem ter origem em vários pontos. "Um deles são as plantações nas margens dos rios que utilizam agrotóxicos e são lançados na água. Até mesmo máquinas das usinas que utilizam óleos para o funcionamento também geram resíduos", explicou.

É preciso saneamento

O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, Anivaldo Miranda, disse à BBC News Brasil que o órgão está tomando medidas para atenuar o problema. Um deles é a retirada das plantas do ponto de captação da água para o abastecimento.
"A partir daí a corrente vai levá-las, diminuindo a concentração no ponto mais crítico. Se houver necessidade, outras medidas serão adotadas seja pelos municípios ou pelos órgãos ambientais de Sergipe e Alagoas", justificou Anivaldo.
Ele também afirma que uma solução definitiva só será alcançada com a construção de redes de coleta e tratamento de esgoto das cidades ribeirinhas, além da recomposição das matas ciliares. Hoje, a maioria das cidades na beira do rio joga seus esgotos no rio sem tratamento.
"O Comitê já faz a sua parte: entregou a todas as prefeituras ribeirinhas do baixo São Francisco os seus respectivos planos municipais de saneamento, que configuram o primeiro passo para que possam se candidatar a receber recursos federais para obras. Só o governo federal é quem tem escala de recursos para fazer os projetos e as obras de saneamento, principalmente a coleta e tratamento dos esgotos", finalizou Miranda.

Pesca e navegação afetados

O ambientalista Antônio Jackson Borges navega no São Francisco há décadas e disse que é evidente o aumento no número de plantas nos últimos meses. "Elas enrolam nas hélices e nos obrigam a ter que fazer uma limpeza, travando até o motor", conta.
A pesca, diz, está prejudicada, já que as redes ficam mais pesadas. "As baronesas estão com um processo de proliferação muito rápido e até assustador. Em Paulo Afonso, na prainha, simplesmente ninguém via a água, totalmente coberta por essa espécie, que reduziu a produção pesqueira de 400 toneladas para 200", completa.


sábado, 11 de janeiro de 2020

Invasão de plantas aquáticas no Velho Chico prejudica abastecimento no Sertão

Vegetação obstruiu bombas da Casal e 19 cidades ficaram com fornecimento de água comprometido

Plantas aquáticas da espécie Elodeacanadensis estão se alastrando no rio São Francisco e já causam prejuízos ambientais, além de comprometer o abastecimento de água em 19 municípios do Sertão de Alagoas. A situação está sendo monitorada pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF), que se reuniu, na última segunda (6), para discutir medidas preventivas. 
No último final de semana, as plantas entupiram uma das bombas da Casal [Companhia de Saneamento de Alagoas], em Pão de Açúcar. O equipamento queimou e os habitantes de 19 cidades que são abastecidas por meio dele ficaram prejudicados.
"Infelizmente estamos funcionando atualmente com apenas 50% do bombeamento para a Bacia Leiteira, e muitas comunidades estão sendo prejudicadas com isso. Contratamos pescadores da região para retirar as plantas do local, mas, no dia seguinte, outras da mesma espécie invadiram o espaço. Sempre houve a incidência de elodeas na região, mas, agora, com o verão e a diminuição da vazão do rio São Francisco, a reprodução da planta torna-se mais acelerada", explicou o superintendente da Casal e membro do CBHSF, Roberto Lobo.
Ele acrescentou que outros municípios poderão ser prejudicados, caso não haja uma ação preventiva que evite a obstrução das bombas. 
"A captação em outras cidades como Arapiraca e regiões circunvizinhas correm o risco de terem prejuízos. A Casal já está tomando algumas providências, inclusive colocou uma tela para evitar que elas avancem. Mas, na verdade, tudo isso poderia ser solucionado, acredito eu, com o aumento da vazão do rio para levar essas plantas aquáticas para o mar", pontuou. 
Para o presidente do comitê, Anivaldo Miranda, mesmo em proporção menor que a ocorrida em Paulo Afonso (BA), o grande número das elodeas que atingiu os motores da Casal em Pão de Açúcar trouxe danos ao abastecimento humano. 
"Infelizmente, a reprodução dessas plantas aquáticas aumenta devido ao lançamento no rio São Francisco de esgotos in natura, por falta de estações de tratamento de efluentes domésticos e de outros nutrientes, como, por exemplo, os fertilizantes que chegam ao leito do rio em função dos desmatamentos de matas ciliares. Tudo isso se agrava no contexto de diminuição das vazões no baixo São Francisco, no período do verão", explicou. 

Fonte: https://gazetaweb.globo.com/portal/noticia/2020/01/invasao-de-plantas-aquaticas-no-velho-chico-prejudica-abastecimento-no-sertao_94440.php

sábado, 26 de outubro de 2019

Coleção reúne espécies de peixes nativos e exóticos do rio São Francisco

A exposição surgiu através de um projeto de extensão do Campus Petrolina Zona Rural do IF Sertão-PE. Qualquer pessoa pode visitar o espaço.



Coleção de peixes do rio São Francisco  — Foto: Ascom / IF Sertão-PE
Coleção de peixes do rio São Francisco — Foto: Ascom / IF Sertão-PE

Com um acervo que reúne 30 espécies de peixes nativos e exóticos, o Campus Petrolina Zona Rural do Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IF Sertão-PE) inaugurou na última sexta-feira (4) a Coleção Ictiológica do Rio São Francisco. Através do novo espaço, os moradores de Petrolina e das cidades vizinhas têm a chance de conhecer mais sobre a biodiversidade do Velho Chico.
A coleção é resultado de trabalho desenvolvido por um projeto de extensão em atividade há três anos, orientado pelos professores Elizângela Souza, Daniel Amaral e Carla Samantha, que envolveu desde a criação de banco de dados sobre os peixes, até a aplicação de técnicas de conservação dos espécimes.
“Inicialmente a coleção era levada para escolas, associações, para despertar para a necessidade de preservação do rio. Agora nós vamos receber a comunidade no campus, com o objetivo de conscientização ambiental e de incentivar pesquisas e estudos com essas espécies, que ainda são escassos", diz a professora Elisângela.
Segundo a professora, o conhecimento sobre os peixes pode ajudar na preservação. "Nós não conseguimos preservar e conservar o que a gente não conhece. Tem gente que mora na beira do rio e não conhece os peixes. Todo mundo acha que a tilápia, por exemplo, é nativa e ela foi introduzida”, explica.

Coleção de peixes no IF Sertão-PE — Foto: Ascom / IF Sertão-PE
Coleção de peixes no IF Sertão-PE — Foto: Ascom / IF Sertão-PE


Entre as espécies nativas que fazem parte da coleção estão o Surubim, Dourado, Cari, Caborge, Pirambeba e Pirá, que não é mais encontrado no Submédio São Francisco. A Carpa, Tilápia do Nilo, Tucunaré e Tambaqui estão entre os peixes exóticos que podem ser vistos na mostra.
A exposição foi criada com o objetivo de promover a conscientização ambiental e preservação dos peixes do rio São Francisco, sobretudo das espécies nativas. “A ideia de reunir espécies nativas e exóticas é justamente comentar sobre os impactos causados pelas exóticas, o que elas trouxeram de diferente para o nosso rio”, afirma o professor Daniel Amaral, destacando que o espaço vai funcionar como um museu.
O rio São Francisco possui uma biodiversidade de importância inestimável. Somente em relação à ictiofauna, são mais de 200 espécies de peixes, dentre nativas, exóticas e endêmicas. No entanto, fatores como a pesca predatória e a poluição ameaçam a vida e até mesmo a continuidade de muitas dessas espécies, sendo algumas ameaçadas e até já em extinção.
Para visitar o acervo, é preciso fazer um agendamento através do e-mail: cpzr.comunicacao@ifsertao-pe. Qualquer pessoa pode participar.