domingo, 19 de janeiro de 2020

Como a proliferação de plantas aquáticas está ameaçando a vida no rio São Francisco

A proliferação de plantas aquáticas tem prejudicado o rio São Francisco, no Nordeste

A proliferação acelerada de plantas aquáticas no rio São Francisco está surpreendendo e preocupando ambientalistas e pesquisadores no Nordeste.
A grande quantidade de espécies, em especial elódeas e aguapés (respectivamente dos gêneros elodea e eichhornia), ocorre basicamente por conta do despejo de esgoto e produtos químicos no rio.
Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil afirmaram que não é possível saber exatamente quando essas plantas surgiram no rio, mas que elas se alastraram de forma surpreendente por conta da contaminação e da diminuição da vazão.
"Essas plantas já estão há bastante tempo no São Francisco, mas agora estão descontroladas", alerta o coordenador da Expedição do São Francisco e vice-coordenador do Comitê Científico de Bacias Hidrográficas do Nordeste, Emerson Soares.
Segundo ele, esse aumento é resultado do acúmulo de poluentes, fertilizantes, agrotóxicos e esgoto doméstico.
"Quando o ambiente está equilibrado, elas (as plantas) ocorrem em menor proporção e não causam problemas ao ecossistema. Inclusive elas são importantes na filtragem de nutrientes, servindo de alimento para várias espécies, atuando na fotossíntese e servindo também de abrigo para desova de espécies de peixes e crustáceos", explica.
"Mas em excesso elas trazem problemas para a água que será utilizada para abastecimento e matar a sede de animais, tornando-a imprópria para consumo", acrescenta.
O excesso das plantas já causa problemas a quem navega nas águas, a pescadores e afeta o abastecimento de água em Alagoas.
O rio São Francisco é considerado fundamental para o Nordeste. Sem ele, milhões de pessoas ficariam sem fonte de abastecimento hídrico.
O Velho Chico, como é chamado, corta 507 municípios, de Minas Gerais a Alagoas. A área afetada pela proliferação das plantas é a região conhecida como baixo São Francisco, que vai de Paulo Afonso (BA) até a foz, em Alagoas, com um total 214 km de extensão.

Comunidades sem água

Na semana passada, a Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) perdeu uma das duas bombas que fazem abastecimento da Bacia Leiteira, em Pão de Açúcar. Ela queimou devido ao grande número de elódeas. O abastecimento humano em 19 municípios foi comprometido.
O coordenador de Produção e Distribuição da Unidade de Negócio Bacia Leiteira da Casal, Erickson Dantas, diz que a empresa está preocupada com as plantas, já que a quebra do motor comprometeu 50% do fornecimento. Ao todo, segundo ele, o suprimento total chega a 200 mil pessoas no sertão alagoano.
"Nós temos o maior sistema coletivo do Estado, mas há apenas um ponto de captação para abastecer todos estes municípios. Se a captação para, o abastecimento também é paralisado", diz.
O coordenador conta que um motor reserva foi colocado para resolver o problema, mas admite que, se o problema se repetir, os municípios podem ficar sem água.
"De uns dias pra cá estamos tendo obstruções. Percebemos que a Chesf (companhia de eletricidade) está liberando mais água (das represas), e isso faz com que as plantas aquáticas, que ficam acima da captação, desçam. Ontem (quinta-feira, 9) precisamos parar três vezes para fazer a intervenção e fazer a limpeza", comenta.
A vazão citada por Dantas é controlada pela Chesf, que reduz ou aumenta de acordo com a quantidade de água armazenada nos reservatórios de Três Marias (MG), Sobradinho (BA) e Itaparica (BA/PE).
Desde 2012, com as reiteradas estiagens, a vazão passou por uma série de reduções a fim de garantir que nenhum deles chegasse ao volume morto — o que causaria problemas na geração de energia elétrica.
Para amenizar o problema, pescadores da região foram contratados para retirar as plantas do local. Entretanto, um dia após a limpeza, as plantas ressurgiram.
"Já aconteceu de cancelarmos a cobrança aos usuários porque não conseguimos abastecer uma cidade por esse problema. Ou seja, são muitos prejuízos causados ", afirma Dantas.
A Casal agora está elaborando um plano para fazer a contenção das plantas, para que não se aproximem das bombas. "Mas ainda é preciso que exista um estudo", afirma.

Mudança de padrões

A bióloga marinha e professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Élica Guedes, explica que um dos fatores que está causando a proliferação é a mudança dos padrões físico-químicos da água. A preocupação da especialista é com a qualidade da água.
"O desenvolvimento em excesso (das plantas) influencia também na qualidade da água. Elas tendem a retirar oxigênio no seu processo de desenvolvimento, e isso afeta o desenvolvimento de outros organismos presentes na água: microalgas, zooplancton, peixes, entre outros", explica.
Para minimizar o problema, Guedes diz que é preciso evitar derramamento de produtos químicos na água, que podem ter origem em vários pontos. "Um deles são as plantações nas margens dos rios que utilizam agrotóxicos e são lançados na água. Até mesmo máquinas das usinas que utilizam óleos para o funcionamento também geram resíduos", explicou.

É preciso saneamento

O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, Anivaldo Miranda, disse à BBC News Brasil que o órgão está tomando medidas para atenuar o problema. Um deles é a retirada das plantas do ponto de captação da água para o abastecimento.
"A partir daí a corrente vai levá-las, diminuindo a concentração no ponto mais crítico. Se houver necessidade, outras medidas serão adotadas seja pelos municípios ou pelos órgãos ambientais de Sergipe e Alagoas", justificou Anivaldo.
Ele também afirma que uma solução definitiva só será alcançada com a construção de redes de coleta e tratamento de esgoto das cidades ribeirinhas, além da recomposição das matas ciliares. Hoje, a maioria das cidades na beira do rio joga seus esgotos no rio sem tratamento.
"O Comitê já faz a sua parte: entregou a todas as prefeituras ribeirinhas do baixo São Francisco os seus respectivos planos municipais de saneamento, que configuram o primeiro passo para que possam se candidatar a receber recursos federais para obras. Só o governo federal é quem tem escala de recursos para fazer os projetos e as obras de saneamento, principalmente a coleta e tratamento dos esgotos", finalizou Miranda.

Pesca e navegação afetados

O ambientalista Antônio Jackson Borges navega no São Francisco há décadas e disse que é evidente o aumento no número de plantas nos últimos meses. "Elas enrolam nas hélices e nos obrigam a ter que fazer uma limpeza, travando até o motor", conta.
A pesca, diz, está prejudicada, já que as redes ficam mais pesadas. "As baronesas estão com um processo de proliferação muito rápido e até assustador. Em Paulo Afonso, na prainha, simplesmente ninguém via a água, totalmente coberta por essa espécie, que reduziu a produção pesqueira de 400 toneladas para 200", completa.


sábado, 11 de janeiro de 2020

Invasão de plantas aquáticas no Velho Chico prejudica abastecimento no Sertão

Vegetação obstruiu bombas da Casal e 19 cidades ficaram com fornecimento de água comprometido

Plantas aquáticas da espécie Elodeacanadensis estão se alastrando no rio São Francisco e já causam prejuízos ambientais, além de comprometer o abastecimento de água em 19 municípios do Sertão de Alagoas. A situação está sendo monitorada pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF), que se reuniu, na última segunda (6), para discutir medidas preventivas. 
No último final de semana, as plantas entupiram uma das bombas da Casal [Companhia de Saneamento de Alagoas], em Pão de Açúcar. O equipamento queimou e os habitantes de 19 cidades que são abastecidas por meio dele ficaram prejudicados.
"Infelizmente estamos funcionando atualmente com apenas 50% do bombeamento para a Bacia Leiteira, e muitas comunidades estão sendo prejudicadas com isso. Contratamos pescadores da região para retirar as plantas do local, mas, no dia seguinte, outras da mesma espécie invadiram o espaço. Sempre houve a incidência de elodeas na região, mas, agora, com o verão e a diminuição da vazão do rio São Francisco, a reprodução da planta torna-se mais acelerada", explicou o superintendente da Casal e membro do CBHSF, Roberto Lobo.
Ele acrescentou que outros municípios poderão ser prejudicados, caso não haja uma ação preventiva que evite a obstrução das bombas. 
"A captação em outras cidades como Arapiraca e regiões circunvizinhas correm o risco de terem prejuízos. A Casal já está tomando algumas providências, inclusive colocou uma tela para evitar que elas avancem. Mas, na verdade, tudo isso poderia ser solucionado, acredito eu, com o aumento da vazão do rio para levar essas plantas aquáticas para o mar", pontuou. 
Para o presidente do comitê, Anivaldo Miranda, mesmo em proporção menor que a ocorrida em Paulo Afonso (BA), o grande número das elodeas que atingiu os motores da Casal em Pão de Açúcar trouxe danos ao abastecimento humano. 
"Infelizmente, a reprodução dessas plantas aquáticas aumenta devido ao lançamento no rio São Francisco de esgotos in natura, por falta de estações de tratamento de efluentes domésticos e de outros nutrientes, como, por exemplo, os fertilizantes que chegam ao leito do rio em função dos desmatamentos de matas ciliares. Tudo isso se agrava no contexto de diminuição das vazões no baixo São Francisco, no período do verão", explicou. 

Fonte: https://gazetaweb.globo.com/portal/noticia/2020/01/invasao-de-plantas-aquaticas-no-velho-chico-prejudica-abastecimento-no-sertao_94440.php

sábado, 26 de outubro de 2019

Coleção reúne espécies de peixes nativos e exóticos do rio São Francisco

A exposição surgiu através de um projeto de extensão do Campus Petrolina Zona Rural do IF Sertão-PE. Qualquer pessoa pode visitar o espaço.



Coleção de peixes do rio São Francisco  — Foto: Ascom / IF Sertão-PE
Coleção de peixes do rio São Francisco — Foto: Ascom / IF Sertão-PE

Com um acervo que reúne 30 espécies de peixes nativos e exóticos, o Campus Petrolina Zona Rural do Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IF Sertão-PE) inaugurou na última sexta-feira (4) a Coleção Ictiológica do Rio São Francisco. Através do novo espaço, os moradores de Petrolina e das cidades vizinhas têm a chance de conhecer mais sobre a biodiversidade do Velho Chico.
A coleção é resultado de trabalho desenvolvido por um projeto de extensão em atividade há três anos, orientado pelos professores Elizângela Souza, Daniel Amaral e Carla Samantha, que envolveu desde a criação de banco de dados sobre os peixes, até a aplicação de técnicas de conservação dos espécimes.
“Inicialmente a coleção era levada para escolas, associações, para despertar para a necessidade de preservação do rio. Agora nós vamos receber a comunidade no campus, com o objetivo de conscientização ambiental e de incentivar pesquisas e estudos com essas espécies, que ainda são escassos", diz a professora Elisângela.
Segundo a professora, o conhecimento sobre os peixes pode ajudar na preservação. "Nós não conseguimos preservar e conservar o que a gente não conhece. Tem gente que mora na beira do rio e não conhece os peixes. Todo mundo acha que a tilápia, por exemplo, é nativa e ela foi introduzida”, explica.

Coleção de peixes no IF Sertão-PE — Foto: Ascom / IF Sertão-PE
Coleção de peixes no IF Sertão-PE — Foto: Ascom / IF Sertão-PE


Entre as espécies nativas que fazem parte da coleção estão o Surubim, Dourado, Cari, Caborge, Pirambeba e Pirá, que não é mais encontrado no Submédio São Francisco. A Carpa, Tilápia do Nilo, Tucunaré e Tambaqui estão entre os peixes exóticos que podem ser vistos na mostra.
A exposição foi criada com o objetivo de promover a conscientização ambiental e preservação dos peixes do rio São Francisco, sobretudo das espécies nativas. “A ideia de reunir espécies nativas e exóticas é justamente comentar sobre os impactos causados pelas exóticas, o que elas trouxeram de diferente para o nosso rio”, afirma o professor Daniel Amaral, destacando que o espaço vai funcionar como um museu.
O rio São Francisco possui uma biodiversidade de importância inestimável. Somente em relação à ictiofauna, são mais de 200 espécies de peixes, dentre nativas, exóticas e endêmicas. No entanto, fatores como a pesca predatória e a poluição ameaçam a vida e até mesmo a continuidade de muitas dessas espécies, sendo algumas ameaçadas e até já em extinção.
Para visitar o acervo, é preciso fazer um agendamento através do e-mail: cpzr.comunicacao@ifsertao-pe. Qualquer pessoa pode participar.


Projeto no entorno do Rio São Francisco alia gestão da água com produção rural na caatinga

Iniciativa inclui técnicas simples de armazenamento da água da chuva até a construção de pequenas barragens para evitar a erosão do solo.


No sertão do Nordeste, no entorno do Rio São Francisco, comunidades e pesquisadores trabalham em conjunto para buscar a recuperação de nascente de rios e incentivar o uso de técnicas para aproveitar melhor o uso da água. Tudo isso para alavancar a produção rural na caatinga.
Canindé de São Francisco, noroeste de Sergipe e divisa com Alagoas, é um exemplo. O município tem lindas paisagens e uma aparente abundância de água. Porém, no entorno do rio que passa pela cidade é marcado por pouca chuva e pela seca.
Perto dali, no assentamento Florestan Fernandes, a falta de água é um problema, a chuva raramente vem e, quando chega, não é na época certa para a atividade agrícola. Animais e plantações não resistem e morrem.
O biólogo da Universidade Federal do Piauí (UFPI) Valdemar Rodrigues é especialista em desertificação e afirma que parte dessa região corre risco de virar um deserto sem vida.
“O que nós temos que fazer é procurar onde existia essa água para que a gente possa recuperar e dar novamente condições de vida no sertão do Nordeste”, explica.

Em Sergipe, as águas do Velho Chico cortam a paisagem do sertão — Foto: Hellen Santos/TV Globo
Em Sergipe, as águas do Velho Chico cortam a paisagem do sertão — Foto: Hellen Santos/TV Globo

Com esse objetivo, a comunidade partiu em busca da água e conseguiu localizar a nascente de rio. Protegida por uma manilha, que traz a água do subsolo, ela garante 700 litros por dia, o que ajuda a matar a sede do gado.
Além dessa, outras 7 nascentes foram encontradas em comunidades do município e na cidade vizinha, Poço Redondo.
O resgate da água é uma das soluções de um projeto de uso sustentável do semiárido, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente com recursos de um fundo internacional.

O entorno do Rio São Francisco é marcado pela pouca chuva e secas frequentes — Foto: Hellen Santos/TV Globo
O entorno do Rio São Francisco é marcado pela pouca chuva e secas frequentes — Foto: Hellen Santos/TV Globo


A coordenadora Sociedade de Apoio Socioambientalista e Cultural (Sasac), Daniela Bento, é uma das líderes de um projeto de convivência com a seca em pequenas comunidades e explica que tudo começa por uma mudança de hábito.
“A caatinga não é ruim com a gente. Ás vezes, nós podemos ser um pouquinho ruim com ela pela nossa ignorância, pelo modo como a gente foi ensinado que era queimando, que era cortando... e a gente agora está descobrindo de que a gente pode conviver harmonicamente também, que ela é nossa parceria”, afirma Daniela.


Técnicas simples e eficientes


O projeto oferece tecnologias básicas para produzir no semiárido, mas que só desembarcaram por lá em 2018, cerca de 20 anos de espera por uma “cisterna calçadão”, por exemplo. Neste sistema, a água da chuva por um calçadão e é armazenada para abastecer a agricultura familiar.
O agricultor João afirma que isso ajuda a garantir uma “segurança hídrica” para a região. “Antes de ter essa cisterna era muito dificultoso de a gente conseguir criar os animais”, lembra.

Em assentamentos, em Canindé de São Francisco, pequenos agricultores torcem pela chuva a cada safra — Foto: Hellen Santos/TV Globo
Em assentamentos, em Canindé de São Francisco, pequenos agricultores torcem pela chuva a cada safra — Foto: Hellen Santos/TV Globo


Soluções assim alcançaram 600 famílias, em 20 comunidades, em Sergipe e outros quatro estados do nordeste (Bahia, Piauí, Maranhão e Ceará).
“Se você não tem água você não tem como você produzir. Você fica na vulnerabilidade realmente que você tenha o retorno da Fome nessa região”, afirma a coordenadora Sociedade de Apoio Socioambientalista e Cultural (Sasac), Daniela Bento.

Evitar a erosão do solo é fundamental


No sertão chove muito pouco, e quando chove, muitas vezes são pancadas de chuva. Quando isso acontece, existe um risco. Essa água, quando ela bate no chão, em vez de infiltrar e virar um reservatório paras plantas, ela vai escorrer e levar junto muita terra fértil.
O problema é agravado dependendo do jeito que o agricultor planta na lavoura. Quando a linha de plantio está no mesmo sentido da caída da água, é erosão na certa.
“No final de uma chuva, você perde de 5 a 10 centímetros de solo, permitindo que a erosão se instale e a capacidade de produção diminua drasticamente na região”, explica Rodrigues.
A primeira atitude é mudar o sentido do plantio, fazendo as chamadas curvas de nível, que são linhas que acompanham o relevo.
“Hoje a gente já aprendeu mais um pouco. A gente nasceu na roça, só que esse manejo a gente nunca tinha aprendido”, afirma o agricultor José Augusto dos Santos.
A mudança foi possível com a ajuda do técnico agropecuário Egídio dos Santos Neto, que atua em uma ONG nas Unidades de Recuperação de Áreas Degradadas (Urad).
A erosão também é um problema para os açudes da região, por isso que os projetos que atuam na região buscam diversas formas para evitar o problema.
Um exemplo é a “barragem de base zero”, que são pedra amontoadas perto dos açudes que seguram a chegada terra e permitem a água passar.
A manutenção das barragens é simples e deverá ser feita anualmente pelos próprios agricultores.

'Mudança de pobre para rico'


Uma outra etapa desse projeto de recuperação ambiental, olhou diretamente para o dia-a-dia do sertanejo, dentro da casa dele. Com isso, ideias que parecem simples, podem mudar toda a rotina.
Na casa da agricultora Marly de Lima, por exemplo, agora a cozinha tem um fogão ecológico, que usa pouca lenha e joga toda fumaça por uma chaminé. Antes, ela cozinhava no quintal e ficava exposta à fuligem, o que poderia gerar problemas respiratórios no futuro.

O projeto de recuperação da caatinga levou mudanças para dentro das casas. Dona Marly foi uma das beneficiadas — Foto: Hellen Santos/TV Globo
O projeto de recuperação da caatinga levou mudanças para dentro das casas. Dona Marly foi uma das beneficiadas — Foto: Hellen Santos/TV Globo


O agricultor José Viana vive na região há 10 anos e a casa dele e da esposa, Lica, que faleceu pouco após a gravação da reportagem, passou por mudanças. Além do fogão ecológico, um item comum na cidade, mas que é novidade por lá: um chuveiro.
“É uma mudança assim, de pobre para rico (risos). Muita gente que já possui e não dá valor que realmente merece. Agora, a gente que nunca possuiu quando tem é um melhoramento. Outra vida”, comemora José Viana.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Estudo aponta que o rio São Francisco, entre Petrolina e Juazeiro, está mais seco

Os resultados das medições realizadas pelos técnicos do Serviço Geológico do Brasil mostram que o Velho Chico perdeu muita água ao longo dos últimos 30 anos.


Técnicos do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) estiveram nesta quinta-feira (8) em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, e em Juazeiro, na Bahia, para medir a quantidade de água do rio São Francisco, neste trecho. O trabalho foi feito a serviço da Agência Nacional de Águas (ANA). Os resultados mostram que o Velho Chico perdeu muita água ao longo dos últimos 30 anos. Situação que preocupa quem depende do rio.

Técnicos medem quantidade de água no rio São Francisco, entre Petrolina e Juazeiro — Foto: Reprodução / TV Grande Rio

“O rio está mais seco, né? Poluição também, bastante aí… sem chuva, está fraco aí a pescaria. Está difícil, a vida de pescaria está muito difícil”, lamenta o pescador Aluísio Rodrigues da Silva.
Para fazer a medição, os técnicos utilizaram um aparelho que emite ondas sonoras. Essa medição é feita a cada dois meses e os dados são comparados com os que já foram coletados em anos anteriores. O objetivo é saber a quantidade de água que o rio São Francisco já perdeu, e em quanto tempo isso aconteceu.

Rio São Francisco entre Petrolina e Juazeiro — Foto: Reprodução / TV Grande Rio

Os primeiros registros são de 1980. Na época, a vazão de água era de 2 milhões e 250 mil litros por segundo. Em 1990, eram 1 milhão e 700 mil litros por segundo. A média se manteve até 2010. Em 2015, atingiu um milhão de litros. Hoje, passam 900 mil litros por segundo.
“Historicamente falando, realmente existe uma tendência de diminuição da vazão. Especificamente a partir de 2014 pra cá, houve uma diminuição das séries históricas de chuva. Então, uma das principais variáveis neste processo de diminuição de vazão realmente é a diminuição das chuvas nas cabeceiras dos principais afluentes do rio São Francisco”, explica Rebeca de Jesus Barbosa, técnica em geociências do CPRM.