segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Maior reservatório do Nordeste atinge seca histórica

Maior reservatório de água do Nordeste, a barragem de Sobradinho, no rio São Francisco, atingiu neste sábado (24) o nível mais baixo de sua história, aumentando o risco de desabastecimento hídrico em consequência da pior seca dos últimos 83 anos. A água acumulada no lago está em 5,41% de seu volume útil ¿abaixo dos 5,46% de novembro de 2001, quando o país passou por um racionamento de energia. Inaugurada em 1979, a represa de Sobradinho tem capacidade de 34,1 bilhões de metros cúbicos e corresponde a 58% da água usada para geração de energia no Nordeste. Mas enfrenta grave estiagem ¿de janeiro a outubro de 2015, choveu apenas 29,8% do esperado na região da barragem. "Todos os usuários devem estar preparados para chegarmos ao volume morto. Isso não significará que a água acabou, mas os usos [como geração de energia, irrigação e consumo] terão que se adequar a essa realidade", alerta o superintendente de Operação da Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco), João Henrique de Araújo Neto.

Projeções do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) mostram que, se não voltar a chover na região, Sobradinho deve atingir, em meados de dezembro, o volume morto - reserva de água abaixo do ponto de captação que representa 15% da capacidade total do reservatório. Se isso ocorrer, a usina hidrelétrica, que já opera com menos de 20% de sua capacidade, deixaria de operar. Segundo o ONS, contudo, não há risco de racionamento, pois é possível usar fontes alternativas, como térmicas e eólicas, e transferir energia de outras regiões por meio de linhas de transmissão. 

Atualmente, as hidrelétricas representam 33% da energia gerada no Nordeste. A iminência do nível zero preocupa produtores de frutas do perímetro irrigado Nilo Coelho, em Petrolina (PE) e Casa Nova (BA), que têm produção anual de R$ 1,1 bilhão. O sistema atual retira água diretamente do reservatório, mas não é preparado para funcionar abaixo do volume morto. Para permitir o aproveitamento dessa água, a Codevasf, estatal ligada ao Ministério da Integração, iniciou em setembro obras de instalação de bombas flutuantes e construção de um canal de captação, com conclusão prevista para 15 de dezembro. "Se chegar a esse limite e as obras não estiverem prontas, a irrigação para. Se parar, deixa de atender 2.322 produtores, além de 130 mil pessoas que usam água do sistema para consumo", afirma Paulo Sales, gerente-executivo do Distrito de Irrigação Nilo Coelho. 


Para manter mais água na represa, a ANA (Agência Nacional de Águas) já autorizou a redução da vazão de Sobradinho de 1.300 m³/s para 900 m³/s - e avalia reduzir ainda mais, para 800 m³/s. O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, Anivaldo Miranda, critica a redução. "Os impactos ambientais são terríveis, como o assoreamento do leito, a erosão das margens e a água salina que avança na foz do rio", criticou. Uma das principais preocupações é o consumo humano. Com a vazão menor, o nível da água baixou, exigindo adaptações nos sistemas de captação. Em Remanso (BA), por exemplo, a água já recuou seis quilômetros. "As prefeituras estão tendo custo maior para bombear. Em algumas cidades, ainda captam do mesmo lugar, onde só tem uma poça de água barrenta", disse Silvana Leite, membro do comitê gestor do lago de Sobradinho. 

Navegação interrompida

A seca prolongada no São Francisco também afeta a pesca, com a redução de espécies, como o surubim, e a navegação. A última empresa que realizava transporte de cargas deixou de operar em abril de 2014, devido à seca e ao assoreamento do rio. Hoje, até pequenas embarcações precisam fazer desvios para não encalhar. Esperada para começar em novembro, a temporada de chuvas no São Francisco deverá atrasar, segundo meteorologistas, devido ao fenômeno El Niño - o superaquecimento das águas do Pacífico que provoca redução das chuvas no Nordeste.

Integração Nacional entrega 528 projetos de irrigação em Juazeiro

Os projetos ajudam a reduzir o consumo de água e de energia e a preservar o meio ambiente no município baiano


O Ministério da Integração Nacional entregou nesta semana 28 projetos de irrigação a produtores de Bebedouro, Curaçá, Maniçoba e Tourão, localizados no polo em torno de Juazeiro (BA) e de Petrolina (PE). Os objetivos são a redução do consumo de água e de energia e a preservação do meio ambiente nos perímetros irrigados da região.
Elaborados pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), os projetos ajudam a reduzir o consumo de água e de energia e a preservar o meio ambiente por meio da conversão dos sistemas de irrigação.
A entrega ocorreu na abertura do IV Workshop de Irrigação e I Simpósio Nordestino de Engenharia Agrícola, em complexo de eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) em Juazeiro. O evento termina nesta quinta-feira (29).
Metodologia
Os projetos são baseados na metodologia do perímetro de Mandacaru, localizado em Juazeiro (BA), o primeiro totalmente convertido de irrigação por sulcos para irrigação localizada. A metodologia é calcada na eficiência da aplicação de água e do consumo de energia, baseados em análises obtidas a partir da substituição de sistemas de irrigação por gravidade por sistemas pressurizados.
Além de diminuir o consumo de água e de energia, também garante maior oferta de alimentos ao longo do ano e melhores resultados econômicos para o agricultor irrigante. Segundo o Ministério da Integração Nacional, em 2014, o projeto Mandacaru registrou redução de 50% no consumo de água, de 30% nos cursos de energia e aumento médio de 100% de produtividade e de 40% da área anual média cultivada.
Para o secretário Nacional de Irrigação, Antônio Carvalho, a necessidade de ampliação da tecnologia de irrigação no País tem ligação direta com a otimização do abastecimento de água. "O sistema a ser implementado utiliza pouca água, mas suficiente para a contínua produção de gêneros agrícolas. Ao replicar a tecnologia desenvolvida no Projeto Mandacaru, será ampliada a eficiência do uso da água na irrigação", destacou.

Fonte: http://www.brasil.gov.br/infraestrutura/2015/10/integracao-nacional-entrega-528-projetos-de-irrigacao-em-juazeiro

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Como gerar mais energia sem afetar o ambiente?

Um dos maiores desafios do Brasil é a equação entre mais energia, crescimento econômico e sustentabilidade. 

Energia-Eólica

Brasil atravessa um período de transição da sua matriz de energia baseada nas hidrelétricas, que deverão gradualmente perder participação na geração nos próximos anos. Com o avanço das térmicas movidas a combustíveis fósseis, o setor poderá tornar-se o maior responsável por emissões de poluentes a longo prazo e desbancar o desmatamento. Essa possibilidade levanta uma série de dúvidas em relação ao futuro da matriz, cada vez mais dependente das chuvas, e que exigirá maior diversificação e redução dos custos para o consumidor final, prejudicado por uma das tarifas mais caras no mundo.
Segundo estudo do Instituto de Energia e Meio Ambiente, as emissões do setor partiram de um patamar de 195 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (medida da quantidade de gases de efeito estufa) em 1990 para 440 milhões de toneladas em 2012, equiparando-se às emissões da agropecuária e da mudança de uso da terra.
De apenas 11% das emissões em 2004, as empresas responderam em 2012 por 30%, resultado do intenso uso do modal rodoviário, grande consumidor de diesel e gasolina, para o transporte de cargas, e do crescimento do uso das térmicas na geração elétrica. Esse e outros desafios no setor serão discutidos na segunda-feira 31 no seminário “Energia: Crescimento Sustentável”, mais um evento da série Diálogos Capitais.
Neste ano de forte estiagem, com o nível dos reservatórios perto dos 20% na Região Sudeste, e o aumento do risco de um novo racionamento, as usinas térmicas contribuíram com quase um terço da geração de energia do País. O avanço da participação dessas unidades coincide com a maior dependência das chuvas para gerar eletricidade e a dificuldade de se construírem novas hidrelétricas, hoje restritas à Região Norte, detentora de cerca de 70% do potencial hidrelétrico nacional.
Desde a década de 1990, o País constrói usinas a fio d’água, ou seja, sem grandes reservatórios de armazenagem. Nos anos 1980 e no início da década de 1990, a capacidade dos reservatórios possibilitava o armazenamento de energia por até três anos. Um estudo da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro mostra que, em 2001, a capacidade de regularização dos reservatórios, ou o quanto de energia o Brasil pode armazenar na forma de água para suprir a demanda de energia, era de pouco mais de seis meses. Em 2012, a capacidade de regularização caiu para 4,9 meses e poderá diminuir ainda mais.
Entre 2013 e 2018, período previsto para o início de operação de grandes empreendimentos como as usinas do Rio Madeira e de Belo Monte, deverão ser acrescentados ao sistema 20 mil megawatts de capacidade hídrica. Desse total, só 200 megawatts têm reservatórios, segundo estimativa do Operador Nacional do Sistema. Isso fará com que a capacidade de armazenamento caia para 3,8 meses em 2018, de acordo com algumas estimativas de empresas privadas. Nesse contexto, a energia térmica ganha espaço.
A menor área de alagamento reduz os impactos ambientais, mas torna o sistema mais dependente de São Pedro. “Neste ano, não tivemos problemas porque a demanda da indústria está muito fraca, por conta da recessão”, afirma o físico Luiz Pinguelli Rosa, ex-presidente da Eletrobras e diretor da Coppe (UFRJ).
Licitar projetos hidrelétricos é complicado, a exemplo da Usina São Manoel, no Rio Teles Pires, na divisa do Mato Grosso com o Pará. A União tentou por mais de três anos obter o licenciamento do empreendimento. Em 2010, o Ibama apontou uma série de deficiências no estudo de impacto ambiental da hidrelétrica, com capacidade estimada para abastecer mais de 2 milhões de residências.
Em 2011, durante o processo de audiência pública para discussão do empreendimento, quatro funcionários da Funai, dois da Empresa de Pesquisa Energética e um antropólogo foram sequestrados por índios da aldeia Kururuzinho, contrária à construção. A usina foi licitada somente em dezembro de 2013. Até a hora do leilão, a licitação estava cercada de dúvidas. Depois das dificuldades para obter a licença ambiental prévia, o projeto chegou a ser retirado por força de uma liminar da Justiça. A Advocacia-Geral da União derrubou a liminar e garantiu a licitação, pouco antes do prazo.   
Diante dessas dificuldades, as hidrelétricas, que há 20 anos geravam mais de 80% da energia, deverão contribuir com 65% no início da próxima década. Com base em três cenários e em projeções de crescimento da demanda até 2040 em cada um deles, a participação das hidrelétricas poderá variar de 46% a 57% da geração de energia elétrica, segundo estudo da FGV Projetos. 
O potencial hidrelétrico estimado entre 40 a 50 gigawatts deverá esgotar-se por volta de 2030, segundo projeções de algumas empresas. Os principais projetos são os do Rio Tapajós, no Pará, com destaque para São Luís, de 8.040 megawatts de potência e investimentos de 26 bilhões de reais, o maior empreendimento futuro de fonte hídrica no País. O governo trabalha para licitá-lo em 2016. A usina será construída a partir de um novo modelo, inspirado parcialmente nas plataformas de exploração de petróleo.
A hidrelétrica não seria acompanhada da instalação de vilas operárias, cidades e centros comerciais no entorno. A ideia é criar alojamentos temporários, que serão totalmente desmontados no fim da obra, com redução da possibilidade de grandes migrações para a região. Além disso, vias provisórias de acesso serão desfeitas e a vegetação, recomposta com o replantio de árvores.
Usinas eólicas, solares e térmicas a gás natural deverão ganhar espaço. A opção nuclear, favorecida pelo fato de o Brasil deter grandes reservas de urânio, provavelmente voltará a ser discutida. Um destaque deverá ser o uso da energia solar, hoje inexpressivo, mas que em 2024 poderá representar 3% da geração de eletricidade no Brasil. Essa alternativa pode gerar 10% da energia, cerca de 6 mil megawatts médios, apontam estimativas do governo.
Uma resolução de 2012 da Agência Nacional de Energia Elétrica estabelece que clientes residenciais e comerciais podem instalar painéis fotovoltaicos e abater de suas contas a microgeração obtida a partir dessa fonte. O governo trabalha em um projeto para estimular o ingresso da energia solar na matriz. Está em negociação com o Ministério da Fazenda a redução da cobrança de PIS/Cofins sobre os equipamentos importados, enquanto os secretários de Fazenda dos estados deverão eliminar o ICMS cobrado sobre os microgeradores de energia.
Há 15 anos, projeções de aumento da participação da energia eólica na matriz elétrica nacional não eram levadas muito a sério. Essa fonte ganhou espaço e poderá chegar ao fim da década com uma potência instalada superior a 14 mil megawatts, mais do que a capacidade da Usina Hidrelétrica de Itaipu, uma das três maiores do mundo. Em 2024, atingiria 20 gigawatts de potência, mais de 10% da matriz elétrica. Com o aumento do uso das fontes eólica e solar, a matriz será mais bem distribuída e intermitente, pois essas fontes dependem de sol e vento.
O gás terá também presença crescente. A produção poderá dobrar para 180 milhões de metros cúbicos por dia no início da próxima década, por causa do pré-sal, apontam algumas estimativas. Na Bacia de Campos, nos melhores casos fora do pré-sal, são produzidos 80 metros cúbicos de gás para cada metro cúbico de petróleo.
Já no pré-sal da Bacia de Santos, a média é de 220 metros cúbicos de gás para cada metro cúbico de petróleo. Uma portaria da Agência Nacional do Petróleo determina que, a partir de 2015, a queima de gás terá de ser apenas de 3% nos campos de petróleo. Essa definição harmoniza-se com a situação do pré-sal, com o gás associado ao óleo, e às promissoras perspectivas de jazidas de gás não convencional, como as de xisto. 

Sobradinho atinge nível mais crítico em 40 anos

Barragem está cada vez com menos água no trecho entre Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) - Foto: Lúcio Távora | Ag. A TARDE

Com 5,83% da capacidade de armazenamento de água do rio São Francisco, conforme dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o Lago de Sobradinho alcança o nível mais crítico desde que foi construído, há mais de 40 anos.
O tema será destaque da palestra do presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF), Anivaldo Miranda, nesta quarta-feira, 21, no SemiáridoShow 2015, evento voltado para a agricultura familiar da região Nordeste do Brasil, que ocorre em Petrolina (PE).
Ele é o debatedor da conferência Gestão da Bacia do Rio São Francisco no contexto das mudanças climáticas, a partir das 9h, na sede da Embrapa Produtos e Mercado, na cidade pernambucana vizinha a Juazeiro (BA).
"Esta situação difícil é resultado das transformações significativas na bacia do São Francisco em função das questões climáticas e da interferência imposta pelas atividades humanas", afirma Miranda, defendendo mudanças urgentes na gestão dos recursos hídricos.
Entre outras medidas, ele diz que é preciso mudar a matriz energética: "O São Francisco não pode ter papel preponderante na geração de eletricidade por  ter outras demandas importantes, como abastecimento humano, dessedentação animal, agricultura irrigada, pesca e navegação".
Outra necessidade "é a efetivação de um programa de revitalização eficiente", diz, salientando a recomposição de matas ciliares dos rios que integram o complexo da bacia do São Francisco e, sobretudo, "a proteção dos biomas cerrado e caatinga, que, inexplicavelmente, ainda não foram declarados patrimônio nacional".
Adaptação
Conforme a secretária do Comitê da Bacia do Lago de Sobradinho, Silvana Nunes, os oito municípios banhados pela barragem estão  adaptando-se ao rebaixamento do nível da água: "Nas cidades, não temos vivenciado problemas com abastecimento, mas o custo está mais alto para a captação das águas".
No entanto, a preocupação com um colapso iminente é geral. "Defendemos que se estabeleçam mudanças sobre a utilização da água, sendo que a agricultura irrigada, embora relevante para a economia, não deve ter mais importância que o abastecimento humano e animal", diz.

sábado, 15 de agosto de 2015

Prevendo prejuízos com crise hídrica, produtores cobram flutuantes

Produtores estão preocupados com burocracia para início de obras. Codevasf deu prazo de 91 dias para execução.



Agricultores do Vale do São Francisco, especialmente do Projeto de Irrigação Senador Nilo Coelho, em Petrolina, no Sertão pernambucano, reuniram-se na manhã desta terça-feira (11) com equipes de engenharia da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). A preocupação deles é em relação à implantação dos flutuantes para captação de água no volume morto do Lago de Sobradinho-BA.

De acordo com o gerente-executivo do Distrito de Irrigação Nilo Coelho (DINC), Paulo Sales, a vinda de representantes da Codevasf foi para esclarecer como está o processo burocrático para a instalação dos equipamentos que deverão auxiliar na irrigação do Vale. “Cerca de 40 dias atrás tivemos reuniões com o ministro e autoridades e eles disseram que os recursos já tinham sido liberados. O valor da obra era de R$ 39 milhões, mas houve um aumento posterior e excedeu R$ 40 milhões”, disse o gerente-executivo do DINC.
A reunião ocorrida no dia 26 de junho teve a presença do Ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, em que foi anunciado um investimento de R$ 34 milhões para que a Codevasf pudesse fazer as obras necessárias para garantir o abastecimento de água nos perímetros. Somente para o Distrito Senador Nilo Coelho existem R$ 25,5 milhões liberados para o projeto, além de R$ 2 milhões por parte da prefeitura municipal.
O projeto apresentado pela Codevasf é composto por três módulos. O primeiro é a construção de um canal paralelo com orçamento em torno de R$ 16 milhões. Os outros dois módulos são os sistemas de flutuantes e o sistema de adução, o que compõem os R$ 40 milhões. “Como o governo liberou R$ 25,5, eles priorizaram a construção dos 100% do canal paralelo e o restante eles iriam reduzir o número de conjuntos. Isso não é bom para nós, porque terá uma vazão reduzida. Precisamos de 14 m³ por segundo”, explicou Paulo Sales.
O coordenador da Câmara de Fruticultura Irrigada em Petrolina, Henrique Holtrup, disse que a preocupação dos agricultores é em relação à demora da burocracia. “A nossa preocupação é que não se fez nada até agora. A gente sempre bate na mesma tecla. Houve reunião com o ministro prometendo a solução e agora com tudo conseguido, não deslancha”, disse Henrique Holtrup.
O coordenador da Câmara de Fruticultura Irrigada destacou ainda que a projeção do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) é que no dia 30 de novembro o nível do Lago de Sobradinho chegará a 8.8%. Atualmente o lago opera a 15%. “Vai ter um colapso se não chover mais tarde. Sem água não se produz. Nós temos aqui lavouras perenes como manga e uva. Se morrer, começa tudo do zero e não dá nem para imaginar uma coisa dessas”, enfatizou Henrique Holtrup.
O engenheiro e analista de desenvolvimento regional da Codevasf, Márcio Adalberto Andrade, explicou que até o final do mês de agosto serão publicados os dois editais que darão início às obras. O valor de R$ 39 milhões disponibilizado pelo Governo Federal é para atender 12 perímetros irrigados, oito deles no submédio Vale do São Francisco. O prazo para a execução da implantação dos flutuantes é de 91 dias, segundo a Companhia.